UNEMAT FAZ PESQUISA

Estudo revela tesouro genético da teca e impulsiona o setor florestal

O esforço conjunto possibilitou o desenvolvimento de 19 cultivares de teca (UNEMATRC 01 a 19)

Por Danielle Tavares
24/06/2026

(Foto: Banco de Imagens)

Pesquisa inédita aponta que a teca, espécie de árvore originária da Ásia e introduzida no Brasil na década de 1970, possui uma diversidade genética muito maior do que a ciência acreditava até então. Com tecnologias de ponta, cientistas da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e de instituições parceiras, identificaram mais de 1,4 milhão de variações genéticas na espécie.

Além de contribuir para o conhecimento científico, a pesquisa fornece informações estratégicas para a conservação dos recursos genéticos e para o planejamento de programas de melhoramento florestal.

O trabalho foi reconhecido pela comunidade científica internacional e publicado na renomada Revista PLOS ONE. Fruto da tese de doutorado de Isabela Vera dos Anjos, o estudo é liderado pelo grupo de pesquisa Biotecnologia para Produção Agrícola Responsável e Geração de Informação, coordenado pela professora da Unemat, Leonarda Grillo Neves.

A DESCOBERTA

A teca (Tectona grandis) é considerada o "Rei das Madeiras Nobres" devido ao seu alto valor de mercado e à sua resistência. Por muito tempo, acreditava-se que as árvores plantadas fora da Ásia tinham uma base genética muito estreita (ou seja, pouca variedade), o que poderia limitar sua sobrevivência e produtividade a longo prazo.

Para mapear o DNA da teca, os pesquisadores utilizaram o sequenciamento completo do genoma (WGS) para analisar 241 tipos da árvore. Com essas tecnologias de ponta, eles identificaram mais de 1,4 milhão de variações genéticas (SNPs), criando um mapa detalhado da espécie.

O estudo provou que existe uma variabilidade considerável, organizada em quatro grandes grupos genéticos. “Essa descoberta é um divisor de águas, pois permite que os cientistas escolham as árvores certas para implantar plantações mais resistentes a doenças, adaptadas às mudanças climáticas e com madeira de qualidade superior”, explicou a professora Leonarda Grillo Neves, pesquisadora da Unemat com doutorado em Genética e Melhoramento.

Novas cultivares: o esforço conjunto culminou no desenvolvimento de 19 cultivares de teca (UNEMATRC 01 a 19), registradas junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Essas inovações tecnológicas e sustentáveis representam o futuro da produção agroflorestal responsável.

TRAJETÓRIA DA PESQUISA

A pesquisa é resultado de uma linha de estudos desenvolvida pela Unemat na área de genética, genômica e melhoramento de espécies florestais. O trabalho teve início a partir da necessidade de compreender melhor a base genética da teca cultivada no Brasil, já que o conhecimento disponível era limitado quando comparado à importância econômica da espécie.

Durante o doutorado, Isabela Vera dos Anjos participou de todas as etapas da investigação: desde o planejamento experimental e a coleta de material biológico até as análises genômicas e a interpretação dos resultados. 

Estabelecimento e avaliação da enxertia, técnica agrícola para indução do florescimento precoce da teca. Fonte: acervo pesquisadoras.

O estudo envolveu o uso de ferramentas de bioinformática e tecnologias de sequenciamento de última geração, permitindo a criação de um amplo conjunto de dados genéticos.

Testes de inoculação de fungos em mudas de teca permite selecionar as mais resistentes. São usados diferentes métodos (da esquerda para a direita): disco de micélio (ferimento no caule), corte superficial + suspensão e corte na raiz + suspensão. Foto: acervo pesquisadoras.

“As tecnologias geradas em Mato Grosso agora podem ser aplicadas em nível global, consolidando a Unemat como referência em biotecnologia florestal”, avaliou a pesquisadora. O desenvolvimento do estudo contou com a colaboração de pesquisadores, estudantes e instituições parceiras, fortalecendo a formação de recursos humanos qualificados e a produção de conhecimento científico de alto impacto.

SAIBA MAIS

Acesse artigo completo publicado na Revista PLOS ONE.


Assessoria de Comunicação - Unemat

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